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Carne vermelha não é o inimigo

Há pessoas no país consumindo muita carne vermelha. Elas deveriam reduzir esse consumo. Há pessoas consumindo muitos carboidratos também. Elas deveriam reduzir esse consumo também. Há pessoas que também estão consumindo muita gordura e o mesmo conselho se aplica a elas também.

O que está ficando mais difícil de justificar, entretanto, é o foco em um nutriente como um culpado para todos.

Eu escrevi artigos sobre como fortes alertas contra o sal e o colesterol não são suportados por evidências. Porém, é possível que nenhum alimento tenha sido atacado tão amplamente ou de forma tão espalhafatosa nas últimas décadas do que a carne vermelha. Assim como acontece com os outros inimigos na guerra alimentícia, as advertências contra as carnes vermelhas são mais exageradas e mais fortes do que precisariam ser.

Os americanos estão com mais sobrepeso e obesos do que já estiveram antes. Não há dúvidas de que estamos comendo mais carnes do que antes. Porém, estamos realmente reduzindo nosso consumo de carnes vermelhas há uma década ou mais. Isso não tem levado a uma redução enorme nas taxas de obesidade ou a argumentos de especialistas de que essa é a razão de menos mortes por doenças cardiovasculares.

Os mesmos relatórios também mostram que comemos significativamente mais frutas e vegetais hoje do que comíamos há uma década. Estamos comendo mais grãos e adoçantes.

Esse é um problema real: estamos consumindo mais calorias do que precisamos, mas em grande parte de nossa discussão sobre dieta, buscamos buscar um culpado nutricional único. Também tendemos a colocar tudo na mesma faixa de “comendo demais”.

Eu vi muitas pessoas citando um estudo feito no ano passado que descobriu que o aumento na ingestão de proteína foi associado com grandes aumentos nas taxas de mortalidade de todas as doenças, com grandes aumentos na chance de morte por câncer ou diabetes. Uma avaliação minuciosa do trabalho, entretanto, conta uma história diferente.

Esse foi um estudo de coorte de pessoas que participaram da Pesquisa Nacional de Avaliação Nutricional e de Nutrição (Nhanes, sigla em inglês). A pesquisa descobriu que não houve associações entre o consumo de proteína e morte de todas as causas ou de doenças cardiovasculares ou de câncer individualmente quando todos os participantes com mais de 50 anos foram considerados. O estudo detectou uma associação estatisticamente significante entre o consumo de proteínas e a mortalidade por diabetes, mas os pesquisadores alertaram que o número de pessoas na análise era tão pequeno que qualquer resultado deveria ser visto com cautela.

As descobertas assustadoras de dois parágrafos são de uma sub-análise que avaliou somente pessoas com 50 a 65 anos. Porém, se você avaliar as pessoas com mais de 65 anos, o oposto foi verdadeiro. A alta ingestão de proteína foi associada com menores níveis de mortalidade de todas as causas e especificamente de câncer. Se você acredita verdadeiramente que esse estudo prova o que as pessoas dizem, então devemos advertir as pessoas com mais de 65 anos a consumir mais carne. Não foi feita essa advertência.

Além disso, esse estudo definiu as pessoas no grupo de “alta proteína” como aquelas que consumiam 20% ou mais de suas calorias vindas da proteína. Quando o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) recomenda que os americanos consumam 10 a 35% de suas calorias de proteína, 20% não deve ser considerado alto.

Se eu quisesse utilizar de falácia de evidências incompletas desses estudos, eu poderia lhes dizer que esse estudo de 2013 que usou os mesmos dados do Nhanes concluiu que o consumo de carne vermelha não está associado com a mortalidade.

Vamos evitar a falácia. Uma meta-análise de 2013 de estudos de dietas baseadas em carne, incluído os acima citados, descobriu que pessoas do grupo de maior consumo de carnes vermelhas tiveram 20% de aumento relativo na mortalidade de todas as causas comparado com aquelas com o grupo de menor consumo. Porém, a maioria disso foi direcionado por carnes processadas, como bacon, salsichas ou salame.

Evidências epidemiológicas podem nos levar apenas até certo ponto. Conforme eu escrevi antes, esses tipos de estudo podem ser falhos. Nada ilustra isso melhor do que uma revisão clássica sistemática de 2012 que mostrou que tudo o que comemos está associado com maiores e menores taxas de câncer.

Nós realmente precisamos de estudos aleatórios controlados para responder a esses questões. Eles existem, mas com relação aos efeitos nos níveis de lipídios, como colesterol e triglicérides. Uma meta-análise examinando oito estudos descobriu que a carne bovina versus a carne de frango e a carne de peixe não muda os níveis de colesterol ou triglicérides de forma significativa.

Tudo isso não é o mais importante, entretanto. É importante entender o que “muito” realmente significa. As pessoas no grupo de maior consumo de carnes vermelhas consumiam uma a duas porções por dia. As pessoas do grupo de menor consumo consumiam cerca de duas porções por semana. Se você consome várias porções de carnes vermelhas por dia então, sim, você talvez possa querer reduzir. Eu poderia apostar que a maioria das pessoas que está lendo isso não consome muita carne. Se você consome duas porções por semana, então você provavelmente está indo bem.

Todos os alertas parecem ter feito uma diferença em nossos hábitos alimentares. Os americanos estão consumindo menos carnes vermelhas hoje do que em qualquer época desde os anos setenta. As recomendações dos médicos não foram ignoradas. Estamos indo melhor em nosso consumo de vegetais. Nosso consumo de carboidratos, como grãos e açúcar, entretanto, vem aumentando. Isso é, em parte, resultado de nossa obsessão em evitar gorduras e carnes vermelhas.

Como os hábitos de consumo dos americanos estão mudando

Nas últimas décadas, os americanos mudaram seus hábitos alimentares. O consumo de carnes vermelhas caiu, à medida que o consumo de grãos tem aumentado bastante.

Consumo per capita, em onças por dia (uma onça equivale a 28,35 g). Os adoçantes incluem açúcar, adoçantes à base de milho, mel e xarope de bordo. Outras carnes incluem frango, peixe e marisco.

Estamos consumindo muitas calorias, mas não necessariamente da mesma forma. Reduzir o que estamos consumindo muito de uma maneira equilibrada pareceria uma abordagem mais sensata.

No outono passado, uma meta-análise de programas de dieta de marca foi publicada no Journal of the American Medical Association. O estudo comparou os resultados de dietas individuais e três classes, que incluíram dietas de baixo carboidrato (como a Atkins), dieta de macro-nutrientes moderados (Vigilantes do Peso) e de baixa gordura (Ornish). Todas as dietas levaram à redução na ingestão de calorias e todas elas levaram à perda de peso em seis meses e, a uma menor extensão, em 12 meses. Não houve uma vencedora clara nem nenhuma perdedora.

Para onde isso nos leva? É difícil encontrar uma mensagem melhor que essa: a melhor dieta é uma que é provável que você mantenha. O que não ajuda é cortar um culpado nutricional da má saúde e proclamar que todos estão comendo errado. Há poucas evidências de que isso é verdadeiro em qualquer momento para todos.

Por Aaron E. Carroll, professor de pediatria na Faculdade de Medicina da Universidade de Indiana.
Ele escreve sobre pesquisas em saúde e política no The Incidental Economist.
Artigo publicado no jornal The New York Times.

 

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Fonte: Scot Consultoria, Canal Rural e Notícias Agrícolas

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